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Em nome do amor

É em nome do amor, e talvez por amor. É com nome próprio e de alma própria. É o lugar onde as palavras são mais do que elas. São simplesmente aquilo que quero que sejam, amor.

Em nome do amor

É em nome do amor, e talvez por amor. É com nome próprio e de alma própria. É o lugar onde as palavras são mais do que elas. São simplesmente aquilo que quero que sejam, amor.

Tudo para ver um buraquinho de fundo azul

O rádio sempre foi um parasita na minha vida. Entrava no carro e o ritual? O mesmo de sempre: silenciar os comentadores radiofônicos e as músicas novas, que rapidamente o deixam de ser por se multiplicarem dezenas de vezes em qualquer sintonia FM. Até que ontem, sei lá de onde vinha eu, numa voz quase calada, ouço alguém falar de viagens. Aumento gradualmente o volume da rádio. Quando viajo, adoro andar a boleia. O pensamento teletransportou-me para bem longe daqui, num lugar onde andar à boleia podia até nem ser muito seguro, mas foi seguramente uma grande aventura. Quando se decide caminhar dezessete quilômetros, debaixo de quarenta graus húmidos, atrás de um buraquinho de fundo azul, estava fácil de adivinhar que iria correr menos bem. Se as coisas correm mal, ainda bem, tens histórias para contar. E aí está a minha memória a provar que é melhor do que aquilo que eu a caracterizo. Já depois de muita peripécia, lá encontrei o buraquinho azul, de que nada pude ver, porque a maré estava vaza. Que descrédito. Tantos quilômetros de ousadia para olhar apenas uma rocha funda. Não estava nada satisfeita e na cabeça levava outro objetivo. As pernas é que já não se deixavam levar pelo cansaço, que havia já em mim. Ideia parva: sair do caminho, que esse já era mal traçado, mas pelo meio do deserto certamente não seria menos difícil. Só boas ideias. Só que não. Estava perdida. E do caminho de volta, só se via uma miragem. Até que aparecido pelo lado esquerdo por um caminho de terra, surge um carro. Sim, é a parte da boleia. Entrei no jipe, tagarelei e aquele sujo e humilde senhor, que a primeira vista não seria ninguém importante, era um espécie de engenheiro civil. Em poucas palavras contou-me que era normal andar-se à boleia, e nem sempre sendo seguro a maioria das vezes seria. Ora a partir dali a boleia agrada-me sempre, e já voltei a repetir. Com medo, mas antes isso do que a pé. A próxima viagem só poderá ser de boleia. Só não te poderei levar, não te preocupes, vou levar a memória e conto-te tudo.