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Em nome do amor

É em nome do amor, e talvez por amor. É com nome próprio e de alma própria. É o lugar onde as palavras são mais do que elas. São simplesmente aquilo que quero que sejam, amor.

Em nome do amor

É em nome do amor, e talvez por amor. É com nome próprio e de alma própria. É o lugar onde as palavras são mais do que elas. São simplesmente aquilo que quero que sejam, amor.

Pessoas más vivem e riem comigo, como se boas fossem

Era pequena (não que tenha crescido muito) quando te conheci. Os sábados à tarde, tinham sabor a saía azul, camisa cor de pele, meia até ao joelho, jarreteira e lenço verde, a outrora amarelo. A casa de pedra tinha uma enorme porta verde, comparada ao meio metro que era na infância. A casa guarda muito de mim. Muito de nós. Por dentro, era velha, humilde e fria. A tinta das paredes estava gasta. O chão notava o roçar de muito sapato que ali tinha rompido. E valiam os bons valores, das boas pessoas que me rodeavam. Já aí, me descobri aventureira. Para aquilo que nunca tive grande queda, eram as cerimónias sérias demais, sendo eu espírito livre, e pouco protocolar. O tempo passou, e nunca mais aquele sítio teve o mesmo encanto, depois de homens maus terem destruído o meu sonho. Foi a primeira vez, que soube que pessoas más vivem perto de mim e riem comigo, como se boas fossem. Foi a primeira vez, que senti que o amor magoa e ainda nem sabia, que sabia amar. E assim se (des)constrói a história da rapariga dos olhos azuis, que acredita que existem coisas infinitas, mesmo quando elas findam. A casa de pedra, perdeu a graça, mas nunca saiu do coração. Quando lá vou, quase às escondidas, entro numa espera mágica. Quem sabe a minha ânsia de viver se tenha apoderado de mim, naquele lugar, onde me lembro muitas vezes de quem sou.

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P.s. Gosto de ti

Gostei de ti uma vida inteira e se não foi tanto assim, senti-o. Deixaste muito de ti e levaste muito de nós. Arrisco até a dizer que levaste tudo. Aqui não deixaste nada, que não este ódio que me consome todos os dias. A mim e ao nosso amor. Levaste a urgência do teu beijo. A urgência de ti e o teu cheiro. Fui longe demais pelo nosso amor. Fui capaz de tudo. Todas as vezes que a tua mão se encontrava com o meu rosto o meu coração sangrava. O tempo corre todos os dias, rápido, ligeiro, apressado e não leva daqui o vazio que deixaste. Não me devolve o amor. O tempo roubou-me a felicidade. O caminho roubou-me de ti. E agora já não importa o que possas dizer ou até mesmo sentir (…) Os meus sentimentos por ti são nada. Estão frios, gelados, desparecidos. A minha sensibilidade já não sente. O meu coração está amorfo. As minhas emoções impávidas. E o meu amor já não se submete a ti. Sou eu, sou eu quem importa agora. Os meus pensamentos multiplicam-se na almofada. Apagam-se, reescrevem-se e deixam-me nesta profunda tristeza. Dei-te o melhor de mim e não te chegou (…) O futuro terá muito mais para me dar, estou aqui de braços abertos para o receber. P.s. Gosto de ti.

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É como veneno da maçã vermelha

Tenho uma coisa muito importante para fazer: absolutamente nada. Preciso de gozar de mim. Ser quem sou. Preciso de me dar ao luxo de subtilmente escorregar entre o sofá e a cama, e disfrutar do zapping. Hoje não quero lavar os dentes, não quero tirar o pijama, não quero arrumar a casa. Quero um dia para mim. Fazer o que me dá na realgana. Sem hora. Sem motivo. Não ter tempo, adormece-nos. É como o veneno da maçã vermelha. E o príncipe pode nunca chegar para nos salvar, do envenenamento da agenda. O cheio de uma vida preenchida deixa-nos presos ao vazio de tanta ocupação.

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Lápis de realidade

Era manhã clara, onde o sol brilhava, não tão forte com o nos dias de verão, enquanto eras corpo quente estendido na toallha e eu menina de esplanada. Não tinha como te tocar, não tinha como te falar. E foi aí que me perguntei: como podia matar aquela saudade que me consumia? Imaginava. Imaginava-nos. Era a melhor maneira de te ter sempre mais um pouco. A minha imaginação ninguém rouba, ninguém entra, é só sai quem não permito que entre. És imaginação mas tem dias que és bem real. Que te sentas no lugar vago e me deixas entrar, como se a minha imaginação estivesse a ser desenhada por um lápis de realidade.

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Perdoa-me

Perdoa-me. Estás livre desse peso. Se não o fizesse arriscaria viver numa mágoa infinita. Sugar-me-ia a racionalidade e esquecer-me-ia de quem sou. Perdoar não é saber-me fraca, é saber que nenhum amor sobrevive sem perdão. Antes que ódio te matasse, perdoei-te.

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Que azar tão grande o amor ser um fardo

Que azar tão grande o amor ser um fardo. E chegar aquela altura em que estou contigo não porque te amo mas porque assumimos um compromisso que nos compromete perpetuamente quando o amor um dia nos deixou. É injusto que dois corações se aturem em compromisso de estarem juntos. Ficamos ali ao lado um do outro, infelizes mas acompanhados, porque nos comprometemos e agora cumprimos a obrigação de uma felicidade pesada, quase tanto como um rinoceronte. Vivemos no mesmo habitáculo mas sofremos da longura de estarmos juntos sem amor. Já temos tantas obrigações. Que Deus me livre do azar de amar por obrigação. Da mentirinha de uma felicidade improvisada a troco de não estar só. No dia em que fé e infortúnio se mesclam, que o azar não seja amar -te sem amor.

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Senta-te, tenho um lugar vago

Gosto de saltar fora da bolha. Olhar. E respirar. Andamos tão entretidos com a vida que nunca tinha pensado numa simples mesa de café. Sempre acompanhada por duas cadeiras, no mínimo. Aquele segundo fora de mim, da azáfama do quotidiano fez -me pensar. Ora claro, um café deve sempre ser acompanhado de alguém. Duas cadeiras, duas pessoas, duas almas. Nem que seja para arrancar cabelos, um café pede sempre dois corações à mesa. Preferencialmente entretidos um no outro. E acompanhados de uma bela gargalhada. Eu vou tomar café. Puxa a cadeira e senta-,te, tenho um lugar vago e o coração cheio.

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Sabes o que se põe dentro do coração?

O que tens dentro de ti é bom. Só pode ser bom. Mas num momento de loucura e êxtase profundamente motivado por um desequilíbrio emocional deixaste-te corroer. A linha entre o ódio e o amor é tênue. Cabe-te a ti, guardar o melhor de mim. O pior é quando os ouvidos tem paredes. E não ouvem o coração. Ouvem a cabeça. Não há amor nenhum que não magoe. E que magoe porque é isso que me fazer sentir que é gigante. Sabes o que se põe dentro do coração? Amor.

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Eternamente apaixonada

Ecrevo-te e cumprimento-te desta forma infantil, porque olho para ti e revejo-me miúda. Lembro-me do meu vestido azul quadriculado, da minha falta de dentes, do excesso de ranho e de me contorcer tanto, por culpa do mimo, que parecia que estava a ser exorcizada. Lembro-me das conversas à mesa, das obras de arte dele, nos estofos das cadeiras, e da cara de poucos amigos dos meus pais. Lembro-me de ter tantos amigos quanto piolhos. Lembro-me de ter um riso estridente e de falar muito alto. É isso não passou. Lembro-me de agasalhar os peluches, com medo que apanhassem frio. Lembro-me de perguntar, sem respirar, se os ladrões existiam mesmo, se os fantasmas existiam mesmo, se a morte existia mesmo, se tudo, existia mesmo. Olá querido passado. Eras tão seguro. Foste tão fácil. Tão divertido. Tão infantil. Foste o melhor que podias ter sido mas complicaste um bocadinho o meu presente. Acho que fiquei mal habituada a ser sempre tão feliz. Somos educados a não cair em excessos. A verdade, é que ainda penso como pensava quando era pequena: é impossível não ser feliz. E mesmo que tenha descoberto que, os ladrões existem mesmo continuo a achar que podemos ser sempre felizes. Mesmo quando chove lá fora e o Verão se atrasa, outra vez. Estou mal habituada. Deveriam ter doseado a felicidade, da mesma forma que dosearam as guloseimas. – “Titi, por hoje chega de felicidade, já abusaste!” Jamais aceitarei que a felicidade é passageira. Só tenho de fechar os olhos, lembrar-me porque era tão fácil e repetir a proeza. A infância foi genial, ao ponto de me tornar eternamente apaixonada.

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O impossível é terrivelmente perfeito

És perfeito. E és impossível. E eu tenho queda para a perfeição e uma tendência enorme para a procura do que parece inalcançável. Porque o vento sopra, a direção muda e o coração arde, sem nunca ter gelado. O impossível, só é, até acontecer. O impossível é terrivelmente perfeito.

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