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Em nome do amor

É em nome do amor, e talvez por amor. É com nome próprio e de alma própria. É o lugar onde as palavras são mais do que elas. São simplesmente aquilo que quero que sejam, amor.

Em nome do amor

É em nome do amor, e talvez por amor. É com nome próprio e de alma própria. É o lugar onde as palavras são mais do que elas. São simplesmente aquilo que quero que sejam, amor.

Ela ou ele?

Ele tem um inexplicável amor por ela. Vai pensando, sentindo. Entretendo o seu domingo, tendo-a guardada, pouco na cabeça e muito no coração. E ela não lhe dá nada. Vive sem ele. Ri sem ele. Brinca sem ele. E ainda a ama, depois de tudo. Realmente o coração é como cancro. De cura improvável e morte iminente. Repara só, mesmo que ele anastesie, o cancro, nunca morre e pede vigia constante. Ele que se cuide porque ela só vais perceber quando ele a deixar de amar. E aí vai doer muito mais. Não sei quem precisa de mais atenção: ela ou ele?

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Ser pai dos nossos pais

Não sabemos ser pais dos nossos pais. A velhice aparece. Veloz e disciplinada. Vem e apodera-se do corpo. Faz-os esquecer. Limita-os. De repente, precisamos de levar os nossos pais, ao parque. Precisamos de lhes trocar as fraldas. De lhes apertar os cordões. Precisamos de lhes dar a comida à boca. Precisamos de lhes contar uma história. E eles próprios ficam com medo do escuro. Os papéis invertem-se. Com uma agravante: Eles por vezes esquecem-nos. Simplesmente já não se lembram mais quem são, quem somos, e fomos. Enquanto esse tempo de lidar com papas-bebes, não chega, desfrute dos serões de domingo à noite. Porque não estamos preparados para sermos pais dos nossos pais.

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Um sacrifício chamado amor

O amor exige sacrifício. Quem gosta muito e ama pouco, sacrifica-se na proporção do seu amor. Dizem as mãos de aliança no dedo que cacasamento é muitas vezes um tormento. Ora bolas! Deitam-se e acordam lado a lado todos os dias. Partilham o mesmo lençol e a primeira coisa que podem fazer, todas as manhãs, é beijarem-se, e ainda reclamam. Não percebo. Ele ama-me e não me tem. E tem dias que é um sacrifício enorme. Isso é amor, fazeres com que permaneca aí, incondicionalmente. Não faças caso, o que eles têm é rotina.

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Aquilo em que te tornaste não é maior

Sou alma, metida num corpo emprestado pelo tempo. Pelo infortúnio de uma noite mal passada e demasiado sentida. Sou alguém novo, entretida nas memórias do passado. Desejando o futuro chegar. Tem dias que é ilusão. Tem outros que é real. Imagino que queiras muito, que o tempo pareça menos longo e menos cruel. Imagino que queiras ser livre de quem não és. Aguenta firme e confia. Tudo aquilo que és, está no passado. A tua memória não esqueceu. E o teu coração também não. Lembra -te de quem és. Aquilo em que te tornaste não é maior.

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Serei o teu porto seguro

Serei o teu porto seguro. Precisas de um sítio onde não sejas tu. Um sítio onde não sejas assertivo, objetivo, e onde não estejas sujeito aos feitos que esperam de ti. Precisas de um sítio onde possas desmoronar. E eu serei esse sítio. Se precisares dele. Perpetuamente (...) Desculpa, agora vou ter que ir, estou atrasada. E não é vulgar. Descobri que até a felicidade tem hora. E eu já devia ter picado há muito tempo. Os dias de folga ao amor, acabaram. O porto espera por ti, o amor é que já partiu.

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O meu sono é um sacana

O meu sono é um sacana da pior espécie. E tu ajudas. Há noite a tramóia é a mesma de sempre. Sento-me delicadamente no sofá numa posição vertical e de quem está francamente interessada na série que estar a passar na televisão. Docilmente, o sofá acolhe-me, possui vida própria e faz-me escorregar sobre ele, até que de repente estou confortávelmente deitada. Eu quero ver a série mas o meu sono não concorda comigo. Vontade eu tinha. "O meu sono não funciona há mesma hora do que eu". Depois há aqueles dias em que até tenho a manhã toda para dormir, e o meu sono não aceita. Acorda-me logo de manhãzinha, como se um dia de trabalho se tratasse. E às segundas, a vida boêmia acaba. Ele devia prontamente eliminar-se, evitando que carregue mais do que um vez no adiar do despertador, mas até aí ele é safado, é faz o que quer. O que tem de bom é que o pesadelo acaba, com sono ou sem sono. E é isto, és um bandido e hoje cheguei atrasada por tua causa.

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Queres pecar comigo?

"– Queres pecar comigo? – Todos os dias. És todo o pecado que há para viver. O bom e o mau. Mas no final das contas só há um tipo de pecado: o que nos mantém vivos. Quem vive sem pecar e morre sem pecar nunca na realidade viveu. Limitou-se a andar por cá. Quem nunca pecou não é santo; é defunto."Sou o teu maior pecado. E tu, o meu.

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Dá-me música e eu dou -te amor

As frequências radiofónicas tem tanto de novo como de entediante. Tanto de companhia como de solidão. Estava quase capaz de me redimir à sintonia das rádios, até me aperceber que durante algumas horas se repetiram inumeras vezes a mesma musicalidade. Que tédio! Eu gosto muito de rádio, mas não deste, que decide as modas, as tendências, e ainda que, de modo involuntário (ou não), monopoliza as partilhas nas redes sociais e lidera o top das preferências. Não que realmente a música seja genial, mas porque é o que todos conhecem. Por isso é que gosto daquele rádio, que entre um toca e foge, uma e outra discordância me soa sempre a novidade. Ainda que super alto e muito enervante, o rádio (aquele rádio) é especial. Que lamento o meu, saber que eles ouvem aquilo que se ouve. Mas que sempre houve muito mais. Dá-me música, eu dou -te amor.

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Os fantasmas existem mesmo

Os meus pais passaram a minha infância a acender a luz do quarto para que sentisse que os fantasmas não existem. Mas quando crescemos sabemos que eles são reais. Não que se escondam no guarda vestidos. O que até era bastante melhor. Escondem-se na nossa cabeça. No nosso coração. Saem connosco à noite. Jantam connosco e nem se dignam a pagar-nos a conta. Que falta de educação. Correm comigo. Dançam comigo. Dormem comigo. E na manhã seguinte a única coisa feliz que fazem, é cumprimentar-me. Quase como quem "não te esqueças que ainda aqui estou". Querido fantasma: foi um enorme orgulho partilhar todo este tempo contigo, contudo se não achares despropositado, amanhã não me acordes. Amanhã apetece-me ver o mar, sem ti. Correr, sem ti. Chorar, sem ti. Viver, sem ti. Agradeço por tamanha companhia, mas agora volta para o armário.

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Pessoas más vivem e riem comigo, como se boas fossem

Era pequena (não que tenha crescido muito) quando te conheci. Os sábados à tarde, tinham sabor a saía azul, camisa cor de pele, meia até ao joelho, jarreteira e lenço verde, a outrora amarelo. A casa de pedra tinha uma enorme porta verde, comparada ao meio metro que era na infância. A casa guarda muito de mim. Muito de nós. Por dentro, era velha, humilde e fria. A tinta das paredes estava gasta. O chão notava o roçar de muito sapato que ali tinha rompido. E valiam os bons valores, das boas pessoas que me rodeavam. Já aí, me descobri aventureira. Para aquilo que nunca tive grande queda, eram as cerimónias sérias demais, sendo eu espírito livre, e pouco protocolar. O tempo passou, e nunca mais aquele sítio teve o mesmo encanto, depois de homens maus terem destruído o meu sonho. Foi a primeira vez, que soube que pessoas más vivem perto de mim e riem comigo, como se boas fossem. Foi a primeira vez, que senti que o amor magoa e ainda nem sabia, que sabia amar. E assim se (des)constrói a história da rapariga dos olhos azuis, que acredita que existem coisas infinitas, mesmo quando elas findam. A casa de pedra, perdeu a graça, mas nunca saiu do coração. Quando lá vou, quase às escondidas, entro numa espera mágica. Quem sabe a minha ânsia de viver se tenha apoderado de mim, naquele lugar, onde me lembro muitas vezes de quem sou.

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